A SITUAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA ISS

Resumo

Muito foi dito a respeito da participação brasileira na ISS. Alguns são contra, outros são a favor da continuidade do projeto. Embora oficialmente o Brasil ainda esteja participando no projeto, pois o acordo assinado entre o Brasil e os EUA em 1997 não foi cancelado, estamos em um estado "congelado de participação técnica", aguardando decisões administrativas.

No estágio atual, depois de muitos anos sem uma participação efetiva ("cortar metal") na produção dos ítens nacionais, as chances das negociações que ocorrem entre AEB, NASA-HQ (Quartel General em Washington-DC), MRE e Departamento de Estado Americano conseguirem determinar alguma continuidade (partes a serem construídas no Brasil), são remotas.

Entretanto, enquanto se aguarda as decisões administrativas, o astronauta e os outros participantes no Brasil (FIESP, SENAI-SP e IFI) continuam à disposição para prosseguirem, ou não, na fabricação das partes nacionais da ISS, a depender das decisões da administração do programa nas reuniões citadas acima. O engenheiro Marcos Pontes permanece em Houston, para os contatos na parte técnica do projeto da ISS na NASA JSC, segundo necessidade da AEB.

Além de suas funções como empresário no setor privado, em termos de perspectivas para uso profissional do astronauta pelo país no setor público, a depender da decisão do Governo Federal, se a participação nacional no programa da ISS for cancelada:

  • o astronauta poderá retornar ao Brasil definitivamente e ser designado pelo governo para assumir funções administrativas no Programa Espacial Brasileiro (como a presidência da AEB) ou,
  • no setor de treinamento e educação ou,
  • deverá assumir funções na relação público-privado no setor de tecnologia ou,
  • permanecerá no exterior como ligação técnica no setor aeroespacial.

Existem várias alternativas, porém, em qualquer dos casos, sendo o único profissional da área no Brasil, Marcos Pontes permanecerá em "stand-by", na função de tripulante, caso o país decida por realizar outra missão espacial, seja com a NASA, ou com a Rússia.


SUMÁRIO

 
  1. A ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
  2. A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA
  3. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS
  4. VANTAGENS PARA O PAÍS
  5. PREJUÍZOS DE UMA EXPULSÃO OU DESISTÊNCIA
  6. HISTÓRICO RESUMIDO DA PARTICIPAÇÃO NACIONAL
  7. SITUAÇÃO ATUAL

1. A ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL

A Estação Espacial Internacional é um projeto científico desenvolvido pelos 16 países mais avançados no mercado espacial: Rússia, Japão, Canadá, França, Alemanha, Itália, Suíça, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Noruega, Holanda, Espanha, Brasil e os Estados Unidos.

A espaçonave é composta de módulos laboratórios científicos e operacionais para experimentos em inúmeras e importantes áreas de pesquisa, incluindo Observação da Terra em diversas faixas de freqüência, nanotecnologia, biotecnologia, combustão, materiais, medicina, fluidos, produção de medicamentos, etc.

O grande diferenciador desse projeto é a exposição de longa duração à microgravidade, ou praticamente ausência de acelerações (intervalos de 30 dias sem acelerações espúrias). Isso é impossível de ser obtido na superfície do planeta ou por qualquer outro meio conhecido. Ainda, a possibilidade de exposição monitorada de experimentos ao ambiente espacial (radiação direta, vácuo praticamente absoluto, etc) e a presença de astronautas para a realização de experimentos e manutenção de equipamento faz dessa espaçonave um laboratório absolutamente sem comparação, ou sequer concorrentes próximos na atualidade, em termos de capacidade de recursos e oportunidades científicas.

Em termos de características físicas, quando completa, a EEI terá um comprimento total de 108 metros (aproximadamente um campo de futebol oficial), com um volume interno pressurizado equivalente ao volume de 2 "Jumbos" (Boeing 747) e uma massa de 400 toneladas (mais ou menos a massa de 2 "Jumbos" também).
A sua órbita em torno da Terra é inclinada de 51 graus com relação ao Equador, a uma altitude de 400 km e a velocidade de 28.000 km/h, o que faz com que a espaçonave dê uma volta no Planeta a cada 90 minutos.

Para maiores informações sobre o projeto, ciência, vantagens e a situação atual da montagem e operação da espaçonave visite o site: www.nasa.gov

Acompanhe as passagens da ISS: http://www.heavens-above.com

Leia o capítulo da Participação Brasileira na ISS do livro "A Conquista do Espaço": Clique aqui.

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2. A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA

Pelo acordo, o Brasil participa da seguinte maneira: o governo brasileiro contrata junto às indústrias nacionais a construção de algumas partes da espaçonave. As indústrias nacionais recebem o dinheiro, desenvolvem as partes e exportam o material para os EUA, a partir de onde serão levadas ao espaço pelo ônibus espacial para integração na EEI. Em troca correspondente ao valor das partes anexadas à espaçonave, o Brasil tem direito de: usar as instalações científicas da EEI para pesquisas nacionais, transporte de ida e volta dos experimentos pelo Ônibus Espacial, tempo de tripulação para execução das mesmas.

A Agência Espacial Brasileira (AEB) é a instituição designada, desde 1997, pelo Governo Brasileiro para gerenciar toda a administração do projeto da participação brasileira na EEI. A AEB é, portanto, a única responsável legal e competente para todas as decisões administrativas sobre o projeto como corte ou continuidade da cooperação internacional, definição de prioridades, obtenção e utilização de orçamentos, etc.

O Presidente da AEB é o administrador brasileiro do contrato da participação brasileira no projeto.

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3. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

Tendo em vista que a Participação Brasileira no Programa da Estação Espacial Internacional envolve vários setores e instituições simultaneamente, é necessário o conhecimento de como essas instituições se relacionam, suas responsabilidades e coordenação.

As seguintes instituições têm participação no Programa:

Agência Espacial Brasileira:
Coordenação geral administrativa do Programa.

  • Gerência geral do programa
  • Providenciar e gerenciar a atividade do Plano Pluri-anual do MCT relativo ao orçamento necessário ao cumprimento das responsabilidades internacionais do Brasil no Programa. O orçamento inclui as atividades de fabricação dos componentes brasileiros pela indústria nacional e a implementação das aplicações científicas (experimentos brasileiros).
  • Coordenar com a NASA as discussões, assinaturas e o cumprimento do acordo de participação do Brasil na EEI: "Implementing Arrangement Between the Government of the United States of America and the Government of the Federative Replublic of Brazil for the Development, Operation, and use of Flight Equipment and Payloads for the International Space Station".

Nota: Este acordo é um "Implementing Arrangement" porque é parte integrante do acordo principal, assinado pelos dois países e aprovado pelo Congresso Nacional, chamado "Framework Agreement Between the Government of the United States of America and the Government of the Federative Replublic of Brazil on Cooperation in the Peaceful Uses of Outer Space" de 1 de Março de 1996.

  • Coordenar com o SENAI-SP e NASA Johnson Space Center, através do Astronauta Marcos Pontes, a documentação técnica do programa, a construção dos protótipos, o processo de homologação e contratação das indústrias, a fabricação, teste e exportação dos componentes brasileiros da espaçonave.
  • Coordenar com a NASA e a comunidade científica brasileira as aplicações (experimentos) científicas brasileiras que serão realizadas a bordo da Estação Espacial Internacional.
  • Coordenar com a NASA o intercâmbio de cientistas e alunos de pós-graduação em áreas associadas ao programa e que sejam de interesse do Brasil.

Gerência Técnica do Programa da EEI no Brasil:
Coordenação Técnica do Programa.

  • Baseados nos acordos firmados pela Presidência da AEB com a NASA,
  • Gerenciar e coordenar com a NASA, SENAI-SP e a AEB toda a documentação técnica do programa
  • Gerenciar as atividades de contratação e homologação de indústrias para a fabricação dos componentes nacionais.
  • Gerenciar as atividades de fabricação, testes e exportação dos componentes nacionais.
  • Gerenciar as atividades técnicas de adaptação e compatibilidade física dos experimentos brasileiros na espaçonave

SENAI-SP:
Fabricação de protótipos

  • Ao receber a documentação técnica da AEB das partes de responsabilidade do Brasil no acordo de participação brasileira na ISS,
  • Analisar e testar possíveis técnicas de fabricação a serem passadas posteriormente para a indústria nacional
  • Fabricar protótipos das partes nacionais
  • Assessorar a indústria nacional na fabricação dos itens de produção.

Universidades:
Formação e pesquisa básica.

  • Fornecer pessoal de pós-graduação para intercâmbio com os países participantes.
  • Prestar consultoria científica no desenvolvimento de sistemas e componentes espaciais
  • Desenvolver experimentos de interesse do Brasil a serem executados em ambiente de microgravidade a bordo da EEI

Centros de Pesquisa:
Pesquisa avançada.

  • Fornecer profissionais para intercâmbio com os países participantes.
  • Prestar consultoria científica no desenvolvimento de sistemas e componentes espaciais.
  • Desenvolver experimentos de interesse do Brasil a serem executados em ambiente de microgravidade a bordo da EEI com e sem a parceria de universidades e empresas.

Indústrias e empresas:
Fabricação de Componentes.

  • Fornecer componentes espaciais para exportação sob contrato com o governo brasileiro.
  • Coordenar com a Coordenação Técnica do Programa da ISS no Brasil (INPE) todas as fases da contratação e fabricação dos componentes.
  • Desenvolver experimentos de interesse do Brasil a serem executados em ambiente de microgravidade a bordo da EEI com e sem a parceria de universidades e centros de pesquisa.

Astronauta Marcos Pontes:
Assessoria Técnica e Execução Operacional.

  • Realizar vôos espaciais segundo a necessidade do Brasil
  • Assessorar a AEB nos contatos técnicos na NASA Johnson Space Center, em Houston, Texas.

Nota: Os contatos, negociações, decisões e assinaturas de contratos entre a AEB e NASA são feitos através da NASA HQ (Quartel General), em Washington DC, e são de responsabilidade exclusiva do Gerente de Projeto, Dr. Raimundo Mussi, da AEB

  • Assessorar o SENAI-SP na construção dos protótipos das partes nacionais da ISS

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4. VANTAGENS PARA O PAÍS

  • Respeito internacional pela competência brasileira na área de ciência e tecnologia
  • Posicionamento junto aos países mais desenvolvidos na área espacial
  • Desenvolvimento industrial
  • Desenvolvimento das exportações de alta tecnologia agregada. As empresas brasileiras que forem certificadas para produzir componentes da ISS estarão ao mesmo tempo recebendo o "carimbo" de qualidade internacional que os coloca em uma lista muito restrita de fornecedores na área.
  • Desenvolvimento da ciência. A possibilidade de execução de experimentos em microgravidade é um campo novo e extremamente lucrativo para pesquisas do governo e de empresas privadas de diversas áreas como, materiais, medicamentos, ciências puras, etc..
  • Desenvolvimento da Educação. A participação de pesquisadores brasileiros em intercâmbio e motivação de carreira para jovens profissionais e estudantes é de valor inestimável para o país.
  • Abertura de possibilidades de futuras cooperações internacionais na área de ciência e tecnologia.

A participação brasileira na ISS, embora seja de custo extremamente reduzido dentro do programa espacial brasileiro em relação a outros projetos do setor, tem uma importância primordial como "cartão de visitas" do Brasil para cooperações maiores na área internacional. Bem conduzida, abrirá portas ao país. Caso contrário, apresentamos um cartão de incompetência e falta de seriendade na consideração inicial de outros países.

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5. PREJUÍZOS DE UMA EXPULSÃO OU DESISTÊNCIA DO PROGRAMA

  • Sem considerar as consequência internas ao país (perda de possibilidades de empregos qualificados, prejuízo sério à imagem pública da AEB e outras instituições participantes), as perdas para o país são extremamente grandes também no sentido de relações exteriores, comércio e cooperações internacionais. Basta observar o peso político-econômico dos outros participantes e imaginar a repercussão internacional resultante de ser o único país que não foi capaz de cumprir a sua responsabilidade no grupo dos 16 países do programa.

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6. HISTÓRICO RESUMIDO DA PARTICIPAÇÃO NACIONAL

Em 1997:

  • Assinatura do acordo.
  • A AEB ficou responsável pela gerência administrativa e o INPE pela gerência técnica.
  • Partes a serem construídas pelo Brasil por aquele acordo:
    • ExPS - Palete Expresso para Experimentos na Estação Espacial
    • TEF - Instalação para Experimentos Tecnológicos
    • Bloco 2 da Janela de Observação para Pesquisa - WORF 2
    • Container Despressurizado para Logística (ULC)
    • Adaptador de Interface para Manuseio de Carga (CHIA)
    • Sistema de fixação Z1-ULC

Em 1998:

  • AEB e INPE iniciam as providências técnico-administrativas
  • O INPE começa ações técnicas junto à NASA
  • EMBRAER selecionada como “prime-contractor”.
  • A EMBRAER inicia com a BOEING o desenvolvimento do projeto preliminar
  • AEB inicia discussões com EMBRAER sobre custo da fabricação dos componentes nacionais
  • AEB seleciona o primeiro Candidato a Astronauta brasileiro
  • O projeto e o programa espacial são intensamente divulgados pela imprensa.

Em 2000:

  • Dezembro - O Astronauta completa curso com média geral 9.6 e é oficialmente declarado astronauta pela NASA, tornando-se, portanto, o Primeiro Astronauta Brasileiro.
  • O Astronauta torna-se apto a ser escalado para vôo, dependendo apenas das decisões do governo do Brasil e o andamento da parte técnica-administrativa brasileira na construção das partes nacionais.

Em 2001:

  • Ano previsto para a entrega do primeiro componente nacional para a ISS, o Express Pallet, e para a realização da primeira missão orbital do astronauta brasileiro
  • Mudança na direção do INPE. Sai Dr. Márcio Barbosa. Entra Dr. Luiz Carlos Miranda.
  • Mudança na Presidência da AEB. Sai Dr. Gylvan Meira. Entra Dr. Múcio Dias
  • Entrega do Express Pallet é adiada - em conseqüência, o vôo do astronauta também é adiado

Em 2002:

  • Após cinco anos do início do projeto, várias negociações com EMBRAER e algumas reduções técnicas no desenho da primeira parte a ser exportada pelo Brasil, o Express Pallet, o custo final para a produção no Brasil do Express Pallet (uma das seis partes sob responsabilidade do Brasil no acordo) é ainda muito acima do acima do orçamento disponível.
  • AEB informa à Nasa que não seria possível fabricar o equipamento segundo o acordo.
  • Notícia causa desconforto por parte da NASA e dos outros parceiros com relação ao Brasil, tendo em vista o cronograma da EEI com relação ao Express Pallet e os contratos de pesquisa associados ao mesmo.
  • Recursos para o projeto são cortados no Brasil.
  • Direção do INPE decide excluir o projeto do seu elenco. O projeto passaria a ser uma ação do PPA exclusiva da Agência Espacial Brasileira. No INPE permanece, porém, a equipe de Coordenação Técnica do Projeto.
  • Outubro – AEB observa possível comprometimento da imagem internacional do Brasil,
    AEB inicia renegociação do acordo com a NASA.
  • A NASA propõe um novo conjunto de partes para participação: um número de placas adaptadoras, FSE (Flight Support Equipment), e o ULC (já constante do acordo original).
  • AEB apresenta a nova proposta à indústria aeroespacial nacional, que a aprova e apóia.
  • Uma segunda reunião de renegociação é adiada para 2003 devido à transição de governo.

Em 2003:

  • Mudança no Ministério da Ciência e Tecnologia. Sai Embaixador Ronaldo Sardenberg. Entra Dr. Roberto Amaral.
  • Mudança na Presidência da AEB. Sai Dr. Múcio Dias. Entra Dr. Luiz Bevilacqua
  • Maio: Retomadas as negociações. Custo estimado pela AEB e Coordenação Técnica do programa (localizada no INPE) para a construção dos FSE e ULC é de US$80 milhões, distribuídos ao longo do período necessário para a fabricação desses componentes, isto é, entre 4 a 6 anos.
  • Novo presidente da AEB informa ao astronauta que o MCT irá cortar o programa
  • MCT desiste da decisão depois de analisar os impactos negativos à imagem nacional e internacional do Brasil que seriam causados pela exclusão do acordo.
  • Junho: PPA prevê menos de US$2 milhões por ano para o projeto nos próximos 4 anos. Isto é, menos de 10% dos recursos necessários.
  • Julho: Reunião com NASA. AEB expõe o problema. Com os recursos estimados pelo PPA só é possível garantir a fabricação dos FSE. Portanto, as negociações devem refletir os FSE como item acordado e o ULC, equipamentos de suporte a tripulação e equipamentos de suporte de cargas úteis como câmeras (já usadas em satélites) como possibilidades de participação, caso recursos extras possam ser futuramente obtidos pelo programa.
  • A redução de participação reduz praticamente a zero as chances de vôo do astronauta brasileiro na NASA.
  • O investimento feito pelo Brasil na fase de projeto preliminar do Express Pallet, cerca de 20 milhões de dólares, junto ao INPE e a Boieng, não são considerados pela NASA.
  • Maiores direitos de utilização científica da EEI e vôos espaciais em ônibus espacial estão diretamente ligados à contribuição nacional em componentes ao complexo.
  • Espera-se que essa contribuição seja ampliada pela expansão do investimento na indústria nos anos vindouros
  • Novembro: Assinatura do protocolo entre AEB e NASA HQ (Quartel General) para a fabricação dos FSEs e proposta de novos itens de estudo para maior contribuição de partes (crew support equipment, anti-radiation equipment, galley, etc) a serem construídas a partir da normalização de recursos.
  • Nova contribuição Brasileira deverá ser a fabricação de 43 placas adaptadoras (FSEs) com custo total a ser pago pela AEB à indústria nacional de 8 milhões de dólares.

Em 2004:

  • Fevereiro: Mudança no Ministério da Ciência e Tecnologia. Sai Dr. Roberto Amaral. Entra Dep. Eduardo Campos
  • Março: Reunião técnica no INPE com a NASA para discussão dos acordos bilaterais.
  • Junho: Audiência Pública no Congresso (Comissão de Ciência e Tecnologia) sobre o projeto de participação brasileira na ISS
  • Mudança na Presidência da AEB. Sai Dr. Luiz Bevilacqua. Entra Dep. Sérgio Gaudenzi.
  • Julho: Reunião na AEB para apresentação do projeto ao novo Presidente da AEB, o Dep. Sérgio Gaudenzi, incluindo representantes da indústria aeropespacial, universidades, centros de pesquisa, escolas técnicas e políticos.
  • O Presidente da AEB afirma que a AEB irá honrar os compromissos internacionais do Brasil, construindo e exportando as partes nacionais e incentivando a homologação internacional da indústria nacional.

Em 2005:

  • Astronauta faz contato com SENAI-SP sobre a contribuição brasileira na ISS
  • Acordo é firmado entre AEB e SENAI-SP para a fabricação dos protótipos das placas adaptadoras de responsabilidade do Brasil na ISS, sem custo aos cofres do governo.
  • Contatos entre AEB e NASA indicam que não será possível a realização do primeiro vôo espacial brasileiro antes de 2009 devido ao acidente do Columbia, restrições de número de vôos do ônibus espacial e redução da participação brasileira no projeto.
  • Maio – AEB inicia conversações com a Roskosmos, a agência espacial Russa e um dos parceiros majoritários da ISS, para verificar a possibilidade de realização de experimentos nacionais na ISS utilizando o astronauta Marcos Pontes, já completamente treinado pela NASA. Além dos experimentos, é intenção da AEB que o vôo seja realizado em 2006, como principal homenagem ao centenário do vôo de Santos Dumont.
  • AEB e INPE iniciam preparativos e determinam o projeto dos detalhes da Missão Centenário
    Astronauta Marcos Pontes é informado que deverá ficar em prontidão para ir para a Rússia e tripular a Missão Centenário, sem tripulação reserva brasileira disponível.
  • Caso o Astronauta brasileiro tivesse qualquer problema de aproveitamento no treinamento, pessoal, saúde ou operacional, a Missão Centenário prosseguiria e seria realizada pelo Cosmonauta Russo Sergei Volkov, levando os experimentos nacionais à ISS.
  • A NASA, parceira majoritária da ISS, autoriza o vôo do astronauta brasileiro com a Rússia. Esse fato é bem recebido pela administração da NASA, pois permite reduzir as obrigações operacionais contratuais da agência americana junto ao Brasil, dificultadas pelas restrições de vôo do ônibus espacial depois do acidente do Columbia. A NASA tem que parar os vôos do ônibus espacial até 2010, devendo, ao mesmo tempo, também cumprir a montagem mínima da ISS e levar os astronautas internacionais enfileirados em prioridades correspondentes ao montante de participação no projeto pelos seus respectivos países. O Brasil estava bem afastado nessa fila. A pequena contribuição do Brasil ficaria então retribuída pela NASA apenas em termos de recursos de utilização da ISS para experimentos nacionais, ficando a NASA livre de fornecer também um assento a bordo do ônibus espacial.
  • Outubro – AEB e Roskosmos assinam acordo para a Missão Centenário
  • Astronauta Marcos Pontes é enviado à Rússia, no Centro de Treinamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, e inicia treinamento para decolagem em Março de 2006.
  • SENAI-SP, AEB e NASA continuam conversações técnicas para a fabricação dos protótipos das placas adaptadoras de responsabilidade do Brasil no acordo firmado com a NASA.
  • Demora da NASA e do Departamento de Estado Americano para incluir o SENAI-SP no projeto são as razões da espera para o início dos trabalhos técnicos e a fabricação oficial dos protótipos.

Em 2006:

  • Fevereiro - Devido à necessidade da inclusão nos manifestos de carga dos vôos do ônibus espacial para a ISS e conseqüente prazo de entrega das partes de responsabilidade do Brasil, a Nasa pretende enviar carta ao Brasil para dispensar a participação do País e passar a fabricação das partes respectivas para a indústria americana
  • Astronauta Marcos Pontes é informado do fato pela NASA enquanto encontrava-se na fase final de treinamento em Moscou.
  • NASA resolve não enviar a carta com dispensa total da contribuição brasileira, mas reduz a participação nacional de 43 para 15 FSEs
  • Março – Astronauta realiza Missão Centenário
  • Abril – Astronauta retorna a Johnson Space Center em Houston e assessora AEB junto à NASA para manter o Brasil no projeto.
  • Departamento de Estado Americano e NASA assinam a autorização da participação do SENAI-SP no acordo técnico (MLA).
  • Astronauta é transferido pelo Comando da Aeronáutica para a reserva, visando ampliar sua atuação profissional pelo Brasil evitando impedimentos da carreira da ativa da Força. Isso permite então, sua utilização eficiente e completa em prol dos projetos do programa espacial e do próprio comando da aeronáutica junto aos setores técnico, privado, político e social no Brasil e exterior.
  • Astronauta tem sua participação ampliada no programa espacial e na educação, cobrando publicamente mais ação por parte das instituições para o programa prosseguir.
  • Na definição de atribuições, a gerência do projeto determina que todos os contatos entre AEB e o quartel general da NASA em Washington sejam exclusivamente feitos pelo gerente de projeto ou o pelo Presidente da AEB. Astronauta continua com o assessoramento da AEB junto ao nível técnico em Houston e São Paulo (SENAI-SP).
  • Agosto - Iniciam-se teleconferências semanais entre setor técnico da NASA em Houston, astronauta brasileiro, gerência de projeto da ISS na AEB, em Brasília, e SENAI-SP.
  • SENAI-SP prepara instalações para a construção dos protótipos e fabrica itens em escala para teste dos programas e maquinário.
  • Todos os elos do nível técnico do projeto (NASA JSC, AEB, Astronauta, SENAI-SP) estão prontos para iniciar a construção dos protótipos (pessoal, instalações, material, programação)
  • IFI (Instituto de Fomento à Indústria), um dos institutos do CTA, do Comando da Aeronáutica, em São José dos Campos, SP, é incluído no projeto para todo o controle de qualidade e homologação das instalações e processos segundo normas dos participantes internacionais da ISS. Um passo extremamente importante para a indústria nacional, visando as grandes vantagens da qualificação e conseqüente abertura de mercado de produção e exportação de produtos alta tecnologia agregada e geração de empregos qualificados para brasileiros no mercado internacional espacial.
  • Setembro – Reunião técnica é marcada em Houston para outubro entre elos do nível técnico para entrega de documentação técnica para a fabricação dos protótipos, definição de metodologia de acompanhamento, padrões de qualidade e outros itens técnicos.
  • Outubro – Uma semana antes da data marcada, a reunião é adiada pela NASA JSC, sem data definida, segundo instruções da NASA HQ (Quartel General)
  • Novembro – AEB realiza seminário no INPE, aberto ao público, com todas as universidades, centros de pesquisa e os cientistas que participaram dos experimentos realizados na ISS pelo astronauta. Na ocasião foram mostrados os resultados, utilizações e planos de continuidade das pesquisas.
  • Dezembro – NASA HQ envia carta para a AEB afirmando que as placas adaptadoras não serão mais necessárias e que pretende ampliar cooperação com Brasil em outras áreas, como a pesquisa da biosfera da Amazônia.
  • A assessoria da Presidência da República é informada da carta e dos fatos.
  • Presidente da AEB determina que a negociação da questão será feita pelo Gerente de Projeto com NASA HQ e que os elos de nível técnico deverão aguardar os resultados das negociações.
  • A AEB informa ao Ministério das Relações Exteriores sobre a questão.
  • O presidente da AEB informa ao Astronauta que está em contato com o recém designado Embaixador Patriota em Washington.
  • Por solicitação da AEB, a Embaixada Brasileira em Washington entra nas negociações com a NASA HQ e Departamento de Estado Americano.

Em 2007:

  • A AEB, através da gerência de projeto, mantém negociação com a NASA HQ para analisar e reestruturar a participação brasileira no projeto da ISS
  • SENAI-SP, IFI, NASA JSC e Astronauta aguardam definições administrativas.
  • Em Houston, limitado ao nível técnico, astronauta tenta viabilizar alternativas de componentes a serem produzidos pela indústria brasileira. Porém, qualquer decisão final depende exclusivamente do setor administrativo.
  • Programa fica em estado "congelado na parte técnica", com tudo pronto para iniciar a construção dos protótipos, aguardando definições do MRE, Departamento de estado, NASA HQ e AEB.
  • Agosto - Presidente da AEB deixa o cargo para assumir Infraero.
  • Presidência da AEB fica vaga.
  • Dezembro - Presidência da AEB ainda exercida interinamente por um dos diretores

7. SITUAÇÃO ATUAL

Oficialmente, o Brasil continua no projeto, mas em "congelamento técnico" (sem nenhuma participação de hardware prevista pela administração).

Assim, a situação atual da participação brasileira na EEI é indefinida e altamente instável, como tem estado nos últimos 6 anos. Logicamente, dado o peso dos países participantes no mercado internacional, é necessário cuidado e boas soluções negociadas para proteger a credibilidade do Brasil perante as maiores nações do mercado espacial.

É fato que, em mais de 10 anos de participação o Brasil não foi capaz de fabricar nenhum componente da espaçonave.

Hoje em dia teríamos a melhor situação técnica de todo esse período para a produção dos componentes nacionais:

  • Temos o projeto estruturado dentro da gerência técnica na AEB
  • Temos a NASA JSC pronta para interagir com o SENAI-SP, IFI e AEB para a documentação e acompanhamento técnico.
  • Temos o astronauta para fazer as conexões técnicas entre Houston, SENAI-SP e AEB
  • Temos a participação do SENAI-SP e da FIESP, com instalações, pessoal, e tudo mais necessário para imediatamente iniciar a produção dos protótipos.
  • Temos indústrias competentes para serem homologadas e fabricarem os itens de produção.
  • Temos o IFI pronto para garantir a qualidade do produto.
  • Teríamos os recursos necessários para o projeto destinados na AEB (aparentemente o projeto não consta mais da previsão de orçamento para os próximos anos)

No momento, em termos oficiais o projeto de participação brasileira na ISS, regulado pelo acordo estabelecido entre Brasil e Estados Unidos*, continua vigente, desde a sua assinatura em 1997.

Nota: "Implementing Arrangement Between the Government of the United States of America and the Government of the Federative Replublic of Brazil for the Development, Operation, and use of Flight Equipment and Payloads for the International Space Station". Este acordo é um "Implementing Arrangement" porque é parte integrante do acordo principal, assinado pelos dois países e aprovado pelo Congresso Nacional, chamado "Framework Agreement Between the Government of the United States of America and the Government of the Federative Replublic of Brazil on Cooperation in the Peaceful Uses of Outer Space" de 1 de Março de 1996.

No aspecto técnico, atualmente o projeto está “congelado”, aguardando o andamento das negociações entre AEB e NASA HQ para redefinir o escopo da participação brasileira no projeto e sabermos (NASA JSC, SENAI-SP e IFI) o que devemos produzir, transferir os recursos humanos e materiais para outro projeto de colaboração com a NASA, ou determinar o seu cancelamento definitivo. Ao que tudo indica, embora o país ainda conste em todas as publicações sobre a ISS como participante (inclusive a bandeira nacional continua a bordo da espaçonave - no laboratório americano), o projeto deve ser descontinuado pela AEB.