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As
novas medidas de segurança que envolvem o projeto do foguete
brasileiro VLS (Veículo Lançador de Satélites)
prevêem a construção de um túnel subterrâneo
de fuga no CLA (Centro de Lançamento de Alcântara)
e a redução no número de pessoas autorizadas
a permanecer na torre de lançamento -onde estavam os 21 técnicos
mortos no incêndio do VLS-1, há cinco anos.
A nova plataforma, que começará a ser construída
no próximo ano, contará com sistema de saída
rápida por tubos para um túnel de concreto com 60
metros de extensão. Na torre será permitido o acesso
de, no máximo, cinco pessoas antes dos lançamentos.
Os
foguetes partirão do mesmo local onde ocorreu o acidente,
em 22 de agosto de 2003. A Folha visitou anteontem a base militar
e esteve na área do desastre. Marcas do acidente, um dos
quatro piores da história da exploração espacial,
ainda permanecem.
O
piso de concreto está parcialmente destruído. Chapas
e tubos metálicos estão chamuscados e corroídos
pela ferrugem. O mesmo ocorre com os trilhos que levavam a chamada
torre móvel de integração até o foguete.
O cenário contrasta com a pintura bem-feita do meio-fio e
o asfalto novo.
Não
há no local nenhum memorial às vítimas ou referência
ao acidente. Um monumento em homenagem aos mortos foi erguido no
CTA (atual Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), órgão
da Aeronáutica em São José dos Campos (SP),
onde todos trabalhavam.
Os
destroços da plataforma e do VLS-1 foram periciados por técnicos
russos e brasileiros e guardados até a conclusão do
IPM (Inquérito Policial Militar) que apurou o caso. Depois,
foram leiloados como sucata.
A
investigação apontou que o incêndio foi causado
pela ignição antecipada de um dos propulsores do foguete.
A causa do problema, porém, não foi identificada.
O caso foi arquivado em 2005, por falta de provas. Ninguém
foi punido.
A
perícia apontou que a estrutura do piso não foi afetada.
Ela será aproveitada nas obras de reconstrução
do local. Receberá uma nova camada de concreto, de cinco
centímetros.
Recomeço
As
obras da torre do VLS-1 e do novo Centro Espacial de Alcântara
haviam sido barradas pelo TCU (Tribunal de Contas da União),
que viu problemas técnicos em uma licitação
e de sobrepreço em outra.
Neste
ano, o tribunal liberou as obras. A nova torre, que custará
cerca de R$ 35 milhões, terá aproximadamente 250 toneladas
e será capaz de lançar a versão 2 do VLS, com
maior capacidade de transporte de carga. A empresa Jaraguá
Equipamentos já foi contratada para refazer a torre, segundo
a Agência Espacial Brasileira.
Segundo
o diretor do CLA, tenente-coronel Nilo Andrade, as obras deverão
ser concluídas em agosto de 2010. Testes de lançamento
estão previstos para 2011. Se aprovado, o foguete brasileiro
poderá colocar satélites em órbita em 2012.
Desde
o acidente, o centro de Alcântara realizou três lançamentos
de foguetes de médio porte, para experimentos de microgravidade.
Para isso, foi utilizada outra torre, a 500 metros do local do acidente.
Mensalmente,
os militares lançam também, em média, 12 pequenos
foguetes de plataformas móveis, para treinamento e testes
dos radares e do equipamento de telemetria (transmissão de
dados à distância).
Segundo
o diretor do CLA, outros foguetes experimentais e de treinamento
poderão ser lançados ainda este ano das bases de Alcântara
e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no Rio
Grande do Norte.
O
CLA deverá abrigar ainda uma nova plataforma de lançamento,
para o foguete ucraniano Cyclone-4, informou o diretor-geral da
binacional Alcântara Cyclone Space, Roberto Amaral. A previsão
é lançar o foguete em julho de 2010.
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