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Investimentos visam ampliar em oito vezes oferta no ensino técnico
e tecnológico até 2010
A preocupação
com a capacitação dos cearenses para as oportunidades
de trabalho nos grandes projetos estruturantes que o Ceará
vai receber nos próximos anos – siderúrgica,
refinaria da Petrobras, mineração e energia alternativas
– deu a tônica da primeira reunião do Conselho
de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado,
realizada sexta-feira. O órgão tem atribuição
de estabelecer metas e diretrizes para o setor.
Os
empreendimentos deverão abrir cerca de 5 mil postos de trabalho,
disse o governador Cid Gomes, que preside o Conselho. Os investimentos
previstos – US$ 11,7 bilhões da refinaria e US$ 6 bilhões
da siderúrgica – deverão gerar um faturamento
equivalente a 60% do PIB do Ceará, sem contar o fator multiplicador
dos empreendimentos, ele informou.
O cronograma
prevê o início da instalação da siderúrgica
para janeiro de 2009 com entrada em produção para
2011. As obras da refinaria também são esperadas para
começar no próximo ano. O governador enumerou os investimentos
agendados para capacitação no Ceará até
2010.
O Cefet
investirá R$ 80 milhões para triplicar a matrícula
de 7 mil para 21 mil técnicos de nível médio
e tecnólogos. No Centec serão investidos R$ 50 milhões
em duas novas Fatecs, no Centro de Educação a Distância
e na transformação de nove CVTs em CVTec. A Secretaria
de Educação investirá R$ 70 milhões
por ano com a introdução do ensino médio integrado
ao ensino técnico iniciado este mês em 25 das 47 escolas
até 2010 que oferecerão 45 mil matrículas por
ano do nível técnico.
O presidente
da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Lucas Barbosa,
observou que o país passa por uma crise de falta de pessoas
para a matemática. O problema afeta não só
ao Ceará mas também São Paulo, disse ele. "Nós
temos de trazer os cearenses de volta, como fez a China na década
de 70 com investimento e a criação de instituições
para atrair pessoas", afirmou.
Cid
Gomes relatou que tem conversado muito sobre capacitação
com o deputado Ariosto Holanda. Conforme o governador, o projeto
e-Jovem, introduzido pela Secretaria de Educação,
inicia no primeiro ano do ensino médio o fortalecimento das
linguagens da matemática, português, informática
e inglês. "Estamos recrutando mão-de-obra para
o e-Jovem em parceria com o Centec". Segundo ele, a idéia
do Centro de Educação a Distância, a ser instalado
em Sobral com investimento de R$ 12 milhões, visa acelerar
a formação e melhorar os quadros nestas linguagens.
"O
problema sério a ser enfrentado é que o Ceará
não está preparado. O nível e a qualidade dos
recursos humanos precisam melhorar muito", disse o presidente
da Federação das Indústrias do Ceará
(Fiec), Roberto Macedo.
Como
exemplo, o empresário observou que tem faltado soldador para
a demanda dos parques eólicos em instalação
no Ceará e engenheiro para a construção civil.
Macedo defendeu a necessidade de saber o perfil dos empregos das
empresas investidoras e o cronograma de instalação
de cada uma para acelerar a formação de pessoal local.
Como
fez a China, o Ceará vai precisar buscar a inteligência
que foi para fora do Estado, propôs Roberto Macedo. Para ele,
o Ceará é o maior fornecedor de talentos para o ITA:
provou que é um celeiro de inteligência. "Agora
precisa coordenar ações do governo e setor privado
para capacitar pessoal local, pois sai mais caro buscar fora do
Estado", disse o presidente da Fiec. Segundo ele, só
uma obra da Vale do Rio Doce e um porto no Espírito Santo
demandaram 32 mil pessoas para serem terminadas.
O secretário
da Ciência, Tecnologia e Educação Superior,
René Barreira, disse que está sendo contatada a Universidade
Corporativa da Petrobras e depois será procurada a da Vale
do Rio Doce "para enfrentar o desafio da preparação
da mão-de-obra qualificada em todos os níveis, senão
teremos problema com as obras estruturantes".
Ele
informou que tem feito gestões no Ministério da Educação
para que seja adicionado o curso Engenharia de Petróleo aos
quatro cursos que o Ministério da Educação
pretende ofertar na Universidade Federal da Integração
Afro-Luso-Brasileira (Unilab) a partir de 2009, em Redenção.
O governador
iniciou a reunião com a mostra dos investimentos do Estado
em diversas áreas. O anel óptico do projeto Cinturão
Digital, que levará Internet de banda larga a 82% da população
urbana do estado – um investimento de R$ 47 milhões
a ser concluído em 2010 -, segundo Cid, deverá ser
pago em dois anos com a economia na transmissão de dados
e telefonia IP.
A carteira
de investimentos privados em energia eólica, solar e termoelétrica,
disse ele, em menos de cinco anos fará o Ceará passar
de um estado que importa 100% da energia que consome para um estado
exportador do insumo. Cid disse que no dia anterior recebeu representantes
da GTZ, agência de cooperação do governo alemão,
para discutir o projeto de transformar o Centro Vocacional Técnico
(CVTec) de São Gonçalo do Amarante em escola para
formar técnicos em energia eólica e solar.
Conforme
Cid, na implantação do parque de energia solar em
Tauá serão investidos US$ 250 milhões de 2008
a 2010; até dezembro de 2008 será investido US$ 1
bilhão na produção de 500 MW/ano. Segundo ele,
mais US$ 1,2 bilhão vai ser investido em projetos de energia
termelétrica até dezembro de 2008. A usina de biodiesel
em Quixadá, que já está pronta para ser inaugurada,
recebeu US$ 76 milhões.
Lindberg
Gonçalves, membro da SBPC no Conselho, alertou para a necessidade
de reduzir as assimetrias no financiamento federal, informou que
neste sentido o deputado Ariosto Holanda tem um Plano, que já
apresentou no Inova. "Uma parcela dos fundos setoriais não
está sendo investida no Nordeste. Alguma coisa precisa ser
feita. Cabe a esse Conselho se manifestar; cabe à Região,
não apenas ao Ceará", alertou.
O presidente
do Instituto Centec, Samuel Brasileiro, avalia que pela primeira
vez a capacitação da população é
vista pelo governo como um projeto estruturante, conceito antes
aplicado às grandes obras físicas. "Nunca tivemos
uma instância de ordem política como agora no Ceará",
disse ele com relação ao planejamento das ações
de capacitação de modo regionalizado e interinstitucional.
Samuel
Brasileiro calcula que a oferta do ensino médio e tecnológico
vai ser ampliada em oito vezes mais até 2010 no Ceará.
Das 11 mil vagas de hoje – 7 mil do Cefet e 3 mil do Centec
e 1 mil do Sistema "S" – chegará a 80 mil
matrículas por ano.
O governador
observou que nos países desenvolvidos há um profissional
de nível superior para cinco técnicos. Mas no Ceará
a relação é de dois profissionais de nível
superior para um de nível técnico. Para ele, o esforço
que está sendo feito com o Ensino Médio Integrado
atenderá a 1/7 dos 350 mil jovens do Estado. O presidente
da Funcap, Tarcísio Pequeno, disse que a soma irá
a 20% - 1/5 da faixa etária - se somadas as contribuições
dos outros entes.
Tarcísio
Pequeno ressaltou que esta foi a primeira reunião do Conselho,
criado na Constituição de 1989. "É um
marco importante do Estado do Ceará. Esta reunião
não é para dizer o que o governo vai fazer, mas para
nós dizermos o que podemos fazer para o Ceará –
este é o espírito deste Conselho", afirmou. Ao
final do encontro, o governador disse que irá participar
de todas as reuniões do Conselho e considerou "da maior
valia" as contribuições dadas.
Para
Cid, o governo considera o Conselho e sua área de atuação
estratégica e fundamental, tanto que resolveu presidi-lo.
"Há sempre o que aprender nas instâncias coletivas,
que são essenciais para o governo cumprir o seu papel e estar
sintonizado", afirmou.
O vice-presidente
do Conselho, René Barreira, disse que cada conselheiro recebeu
uma versão preliminar do Plano de Ciência, Tecnologia,
e Inovação para que acrescentem suas críticas
e contribuições. No dia 22 será realizada uma
segunda reunião, ele propôs, para apresentação
do Plano, seguida de discussões.
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