MATO GROSSO DO SUL TEM NOVO SUPERINTENDENTE DE C&T
Gestão C&T Online - DF

João Onofre Pereira Pinto é o novo superintende de C&T da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia (Semac) do Mato Grosso do Sul.

“Eu vim para a superintendência nesta terça-feira [5] e ainda estou tomando pé das condições, do que está acontecendo no processo”, disse Onofre, nesta quinta-feira, em entrevista ao “Gestão C&T online”.

Mesmo ainda sem ter sido publicada a nomeação, o novo superintende adiantou que “de maneira genérica” o que pretende fazer é, exatamente, tornar a C&T uma agenda importante no Estado, no governo. “Basicamente dar uma olhada em como estão as condições, no ponto de vista de recursos humanos, na parte de infra-estrutura, o que a gente tem e o que precisamos para colocarmos o Estado, na ponta em comparação com outros Estados da Federação, mas preciso de mais tempo para responder nossas ações concretas com maior precisão”, explicou.

João Onofre é professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), coordenou o Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da universidade, foi chefe de departamento e coordenador de cursos de pós-graduação.

Onofre está substituindo José Sabino que, no dia 1º deste mês, encaminhou, por e-mail, mensagem à comunidade científica e tecnológica do Estado do MS, anunciando sua saída.

Veja a íntegra do comunicado:

Caros membros da comunidade científica e tecnológica do Mato Grosso do Sul:

Venho, por meio desta, comunicar que não mais ocupo a função de superintendente de Ciência e Tecnologia do Mato Grosso do Sul, a mim confiada desde março de 2007 por Vossa Excelência o governador André Puccinelli. Desde o primeiro momento, aceitei a desafiadora e honrosa tarefa por acreditar em contribuir com a agenda de Ciência, Tecnologia & Inovação do Estado que escolhi para trabalhar, viver e criar meus filhos. Agradeço a oportunidade de ter feito parte de sua equipe.

Nesse um ano e meio de trabalho, mobilizei todas as forças para concretizar ações da Política de C,T&I do Estado, em forte sintonia com a Política Nacional, que vive um momento admirável. A convite do ministro de Estado de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, fiz parte do grupo de trabalho que auxiliou a elaborar o Plano de Ação 2007-2010: “Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional”, mais conhecido como PAC da Ciência e Tecnologia.

Paralelamente, revitalizamos o Fórum Estadual de C&T e a partir de um debate amplo com as instituições do setor, consolidamos a Política de Estado da área. Derivadas da base institucional instalada, expertise local e demandas para o desenvolvimento, dois segmentos foram apontados como prioritários: biodiversidade e biocombustíveis.

Combinando as necessidades do Estado de Mato Grosso do Sul e em busca de novos espaços, articulamos iniciativas para captar recursos ao segmento de CT&I, essencial ao desenvolvimento de qualquer Estado moderno e soberano.

É vital destacar que, mesmo com equipe reduzida e poucos recursos materiais, fizemos muito, Como dizia Dr. Ulysses Guimarães, com quem tive o prazer do convívio familiar em minha infância no interior de São Paulo: “Em política, o sucesso é fundamental”. Exemplo desse sucesso é o projeto “Bioeconomia: um novo paradigma para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul”, elaborado pela Superintendência de Ciência e Tecnologia, cujo pleito foi recentemente aprovado pela Finep.

O projeto contempla o Estado com R$ 11 milhões e abordará os temas destacados como prioritários pela Política de C,T&I: biodiversidade e biocombustíveis. Trata-se, ainda, da maior verba da história ao setor de C&T encaminhada ao Estado (2/3 do Governo Federal; 1/3 do Governo Estadual). Evidentemente, não teria feito nada sem o crucial apoio de minha equipe, a quem sou muito grato.

Mato Grosso do Sul passa por um intenso e virtuoso ciclo de crescimento econômico. A chegada de novos empreendimentos no setor sucroalcooleiro, a construção de novas obras de energia e infra-estrutura de transporte fazem parte da agenda de desenvolvimento do Estado.

A implementação equilibrada dessas obras e a conservação dos riquíssimos sistemas naturais aqui existentes, tal e qual em escala global, é hoje o maior desafio ao Estado. Mais que retórica, o desafio da sustentabilidade é o novo padrão de desenvolvimento para o mundo todo.

As agendas de Ciência, Tecnologia e Inovação devem contribuir fortemente ao caminho inexorável de fazer política moderna, especialmente em um momento em que o Brasil precisa divulgar ao mundo uma imagem menos lesiva ao meio ambiente e de que é capaz de se desenvolver ao mesmo tempo em que conserva riquezas como o Pantanal e o Cerrado.

No mundo atual, conservação e desenvolvimento são agendas únicas e temos clareza que a política que contribuímos para consolidar, atrevo-me a dizer, trouxe muito dessa visão moderna, equilibrada e focada na racionalidade do conhecimento científico e tecnológico.

Tenho a percepção de que poderia ir mais adiante no trabalho que vinha realizando com minha equipe, a despeito das dificuldades. Entretanto, como especialista em comportamento animal e rigoroso apreciador da arena humana, tenho sensibilidade para perceber como ocorrem as vicissitudes, pressões e jogo de poder político.

Assim, entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade sul-mato-grossense e o próprio governo é buscando, nas ações de Ciência e Tecnologia e de Conservação da Natureza, o apoio para a consolidação do que conseguimos construir e para a continuidade da política de C,T&I, notadamente junto ao projeto Bioeconomia.

Em busca de soluções inovadoras, o projeto deverá gerar alternativas e integrar as dimensões social, econômica e ambiental de desenvolvimento. Sua importância deverá extrapolar os cuidados merecidos pelo Pantanal e Cerrado e revelar, ainda, o potencial de uso sustentável que os dois biomas encerram.

Nosso trabalho à frente da Sucitec incorporou conquistas e inovações de gestão, como ampla transparência e divulgação de temas de interesse à comunidade. Certamente, o próximo dirigente fará o mesmo com a contribuição deixada por esta gestão. Deixo o governo com a consciência tranqüila e certo de, nesse período de trabalho, termos feito ações relevantes para o Mato Grosso do Sul.

Sinceramente, José Sabino.”


Fonte: Fabiana Santos - Gestão C&T Online
Data: 08/08/2008