
O
anúncio da compra de um dos mais poderosos supercomputadores
do mundo para pesquisa em mudanças climáticas e
da cooperação entre Brasil e Reino Unido para equipar
o satélite brasileiro de observação da Terra
Amazônia-1 foi feito nessa segunda-feira (14) ao final da
conferência sobre a política nacional de ciência,
tecnologia e inovação, apresentada pelo ministro
da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende.
As
duas notícias, anunciadas no primeiro dia da 60ª Reunião
Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
(SBPC), foram comemoradas por pesquisadores, representantes de
instituições de pesquisa e entidades parceiras envolvidas
com a ciência brasileira.
O
investimento de R$ 35 milhões pelo Ministério é
o maior montante que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe/MCT) já recebeu para comprar um supercomputador,
lembrou o diretor da instituição, Gilberto Câmara.
"Esse investimento demonstra o compromisso dos órgãos
de pesquisa brasileiros – e do MCT em particular –
com medidas concretas para entender e oferecer soluções
relacionadas às mudanças climáticas",
observou o diretor do Inpe.
Gilberto
Câmara explicou que o novo supercomputador dará ao
País a possibilidade de desenvolver seu próprio
modelo climático e, ao entender melhor o impacto das mudanças
climáticas em seu território, abrir caminhos para
que políticas públicas sejam elaboradas para diminuir
os efeitos sociais, ambientais e econômicos do aquecimento
global. "O Brasil é um dos países mais prejudicados
pelas mudanças climáticas", lembrou Câmara.
A Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp)
investiu mais R$ 13 milhões no projeto.
O
novo supercomputador, que começa a funcionar em 2009, terá
capacidade de processamento de 15 TFlops (15 trilhões de
operações matemáticas por segundo), o que
corresponde a uma capacidade quase 60 vezes maior do que a dos
supercomputadores que o Inpe dispõe até então.
A nova aquisição permite ainda uma melhora importante
nas previsões de tempo do Instituto, com modelos regionais
cuja resolução chegará a 10Km. O investimento
para a compra desse equipamento faz parte das prioridades previstas
no Plano de Ações 2007-2010 (PAC CT&I), apresentado
na manhã dessa segunda-feira (14) pelo ministro Sergio
Rezende.
Cooperação
Internacional
Ainda
na área espacial, o ministro anunciou realização
do projeto de cooperação espacial entre Brasil e
Reino Unido para incluir uma câmera britânica no satélite
brasileiro de observação da Terra Amazônia-1.
Participam da cooperação o Inpe e o Rutherford Appleton
Laboratory - Science & Technology Facilities Council (RAL-STFC).
Associado
aos satélites da série CBERS (China Brazil Earth
Resources Satellite), o Amazônia-1 produzirá imagens
com maior freqüência e maior definição,
adequadas para monitorar o ambiente e gerenciar recursos naturais.
Essas imagens podem ser utilizadas em todo o mundo, conforme a
opção do governo brasileiro de adotar uma política
de dados livres, considerados bens públicos e disponibilizados
gratuitamente pela internet.
"Não
fazemos parte do G8, mas estamos nos projetando no mundo como
uma potência ambiental; uma nação pacífica
que coloca a ciência a serviço da sociedade civil",
avalia o diretor do Inpe. Ele explicou que a câmara RALCam-3
produzirá imagens com resolução da superfície
terrestre de cerca de 12 metros e com 110km de campo de visada.
A tecnologia a ser por ela utilizada é inédita em
satélites brasileiros e permitirá a geração
de imagens com maior definição, aptas, por exemplo,
a monitorar o meio ambiente e prover a gestão de recursos
naturais.
O
satélite Amazônia-1, com lançamento previsto
para 2010, será o primeiro satélite de recursos
terrestres totalmente desenvolvido pelo Brasil e utilizará
a Plataforma Multimissão-PMM, de médio porte, também
desenvolvida pelo Inpe e por indústrias brasileiras, no
contexto do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae),
coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB). O Amazônia-1
carregará, igualmente, um instrumento óptico com
resolução espacial de 40 m e capacidade de imageamento
de uma faixa de 780 km.