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Um
estudo do gelo da Groenlândia localizado entre 1.452 e 1.642
metros de profundidade indica que o clima se alterou abruptamente
no fim da última era glacial e que a temperatura aumentou
até 10C de um ano para outro.
A
pesquisa, publicada na revista "Science", lança
um alerta para os cientistas em tempos de aquecimento global: transições
dramáticas e totalmente imprevistas no clima podem acontecer
em períodos extremamente curtos.
Sune
Olander Rasmussen, da Universidade de Copenhague, afirmou à
Folha que é preciso criar modelos que simulem as alterações
abruptas do passado e, mais importante, que verifiquem se o clima
tem "pontos de virada" - a partir dos quais ele muda de
repente.
Segundo
Rasmussen, os aquecimentos observados durante a era glacial (um
há 14.700 anos e outro há 11.700 anos) mostram as
alterações da circulação atmosférica
de um ano para o outro. A última dessas viradas climáticas
deu ao planeta a cara que ele tem hoje: as geleiras que cobriam
boa parte do hemisfério Norte derreteram e o nível
do mar subiu cerca de 100 metros.
Para
chegar ao resultado, pesquisadores analisaram a quantidade de poeira,
a composição da água e do ar preso no gelo.
O gelo também indica que o aquecimento é iniciado
com mudanças nas monções da região tropical,
o que altera os padrões climáticos subitamente no
pólo.
De
acordo com Pedro Leite Dias, diretor do Laboratório Nacional
de Computação Científica, um ponto notável
da pesquisa é a resolução temporal -análise
ano a ano do gelo. "Isso requer um nível de precisão
no tratamento dessas amostras que seria inconcebível há
cinco, seis anos atrás."
Ele
também considera interessante o fato de o trabalho fazer
conexão entre o que aconteceu na Groenlândia e algumas
alterações climáticas na região equatorial.
"Eu venho acompanhando alguns trabalhos sobre mudanças
abruptas da região equatorial. E, em particular na África,
há indícios de mudanças abruptas no clima nesse
mesmo período, no final do último glacial", afirmou.
Botão
"Nós
analisamos a transição da última era glacial
até o presente período interglacial, e as mudanças
no clima estão acontecendo tão de repente que é
como se alguém tivesse apertado um botão", disse
Dorthe Dahl-Jensen, também da Universidade de Copenhague.
Comparando
a quantidade de poeira, oxigênio e hidrogênio nas camadas
anuais dos testemunhos de gelo, os pesquisadores podem investigar
como a mudança de clima se desenvolveu ano a ano. Rasmussen
afirma que o próximo passo, agora, é estudar mais
o passado do período interglacial.
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