
O
telescópio Glast foi lançado nesta quarta-feira (11),
em um míssil Delta 2, na base área de Cabo Canaveral,
na Flórida. O lançamento ocorreu às 13h05 no
horário de Brasília.
O
novo telescópio da Nasa não se parece muito com um
telescópio. Visto de fora, o Glast é uma caixa quadrada
com dois metros de largura sem espelhos ou lentes, mas é
justamente sua engenharia diferenciada que permitirá estudar
com detalhamento sem precedentes a origem dos raios gama, o tipo
de radiação mais energético que existe.
Se
tudo ocorrer como planejado, o Glast (sigla em inglês para
Telescópio Espacial de Grande Área de Raios Gama),
deve ser colocado em uma órbita a 565 km da Terra. O telescópio
é composto basicamente de um rastreador de trajetórias
de partículas e de um calorímetro (medidor de energia).
Sua missão é fazer uma varredura diária do
céu para mapear fontes de raios gama - o tipo de radiação
mais energético que existe - e registrar sua dinâmica.
Essa
radiação emana, por exemplo, de núcleos de
galáxias com grandes buracos negros, que podem vir a ser
melhor entendidos com o Glast. Ele também investigará
misteriosas explosões de raios gama registradas diariamente
no espaço com origem desconhecida.
"Uma
dificuldade de compreender esses fenômenos é que as
energias para alimentá-los são muito grandes, e processos
nucleares [como os de estrelas] não são capazes disso",
diz o brasileiro Eduardo do Couto e Silva, vice-diretor de um dos
centros de operações do Glast: "Achamos que está
relacionado com buracos negros, mesmo." As observações
do Glast, diz, ajudarão a verificar se a hipótese
é correta.
Pela
primeira vez, também, será possível estudar
física de partículas no espaço, da mesma maneira
como já se faz nos aceleradores de partículas na Terra.
O Glast poderá detectar, por exemplo, uma partícula
hipotética batizada de neutralino. Talvez ela seja aquilo
que físicos chamam de 'matéria escura' - a matéria
mais abundante do Universo, mas que, também, ninguém
sabe o que é.
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