
Desde
que a Phoenix pousou em Marte, no dia 25 de maio, os técnicos
da Nasa (agência espacial norte-americana) estão testando
e calibrando os equipamentos da sonda, para iniciar a exploração
propriamente dita do planeta. Até o momento, os exploradores
encontraram no pólo norte de Marte as características
que foram projetadas na Terra, mantendo acesa a expectativa de encontrar
matéria orgânica ali.
"Pelo
que parece, Marte é exatamente o que estávamos imaginando
e procurando, com um solo com poucas pedras e gelo no subsolo",
afirmou à Folha Online o brasileiro Ramon de Paula, chefe
dessa missão na agência espacial. Ele calcula que o
gelo esteja a uma distância de 5 cm a 8 cm da superfície.
Com o uso de uma broca especial e uma espécie de escavadeira,
o braço robótico da Phoenix vai perfurar o solo e
trazer amostras de gelo que serão analisadas por instrumentos
localizados na própria sonda em Marte. Entre eles estão
câmeras e microscópios, além de outros equipamentos
de análise. Se tudo ocorrer conforme o planejado, a sonda
vai ficar em operação por 90 dias.
Análises
iniciais dão conta que a Phoenix pousou sobre uma placa grande
de gelo, o que pode facilitar a missão - não seria
necessário fazer buracos muito profundos. Entretanto, ainda
é preciso analisar a dureza desse gelo.
Calibragem
Segundo
o engenheiro, por enquanto, os técnicos estão apenas
testando os instrumentos, antes de começar a perfurar o solo.
Durante o processo, em caso de falha, surge o desafio de fazer reparos
na sonda a uma distância de 275 milhões de km de distância,
tarefa que o engenheiro brasileiro classifica como "muito difícil"
"Temos
que utilizar, aqui na Terra, modelos da sonda que está em
Marte. E os modelos nem sempre são idênticos. Podem
ter sido feitas alterações de última hora na
Phoenix e que nós não passamos para o papel. Temos
que levar isso em conta", conta De Paula.
Um
desses reparos teve de ser feito na última segunda-feira
(2), quando um equipamento chamado Tega (sigla em inglês para
Analisador de Gás Térmico e Expandido) não
funcionou durante os testes.
O
aparelho é essencial para a missão da sonda, pois
será responsável por analisar componentes do solo
de Marte. Entretanto, um dos filamentos que compõem o sistema
estava em aparente curto-circuito. Nesta terça-feira (3),
os engenheiros da Nasa enviaram uma mensagem para que o Tega utilizasse
um filamento adicional, fazendo com que o equipamento funcionasse.
"É
um negócio bem delicado. Qualquer impureza pode dar problema.
O outro filamento [adicional] foi acionado e o instrumento está
funcionando bem", afirma o brasileiro.
Calor
A
função do Tega é esquentar amostras coletadas
pelo braço robótico, transformando os materiais em
gases. Com isso, é possível identificar os compostos
químicos e analisar sua composição. Além
de analisar a origem da água em Marte, a Phoenix vai procurar
por outras condições propícias para a vida
no planeta, como compostos orgânicos.
As
duas naves Viking, da Nasa, que chegaram a Marte em 1976, não
detectaram a existência desses compostos.
Controle
Apesar
de estar a cerca de 275 milhões de km de distância,
a Phoenix age de acordo com comandos enviados por profissionais
em terra. Durante a noite, os técnicos recebem informações
enviadas pela sonda e, com base nessas análises, enviam pela
manhã os comandos para a Phoenix.
De Paula calcula que existam cerca de cem cientistas e 50 engenheiros
trabalhando nessa operação. Na visão da Nasa,
estudar a água em Marte é chave para descobrir respostas
importantes, como se o planeta já teve vida.
Segundo
a agência, os pesquisadores também podem descobrir
maiores informações sobre o processo de mudança
climática. Para o engenheiro brasileiro, Marte pode dar lições
aos habitantes da Terra.
"Se
descobrirmos como a água desapareceu [no planeta], podemos
usar esse conhecimento científico para nos proteger, para
não passar por essa fase", afirma.
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