
Uma
avaria no banheiro da ISS (Estação Espacial Internacional)
se tornou um sério problema para os técnicos - pode,
inclusive, antecipar o regresso dos astronautas à Terra,
afirmou um funcionário russo das missões espaciais,
Vladimir Soloviev.
"Temos
um problema com o sistema de drenagem. É um incidente sério.
Nestas circunstâncias, inclusive, podemos proceder a uma retirada
de emergência da tripulação", alertou ele.
Segundo
a Nasa (agência espacial norte-americana), o sistema de coleta
de resíduos sólidos está funcionando normalmente
- o problema está no mecanismo que recolhe resíduos
líquidos.
No
entanto, Soloviev disse que essa decisão ainda está
longe de ser tomada, pois o sistema foi reparado parcialmente. Há
uma semana os dois astronautas russos e um americano, moradores
permanentes da ISS, sofrem as conseqüências no sistema
de coleta do banheiro.
A
cada três vezes que a descarga é utilizada, os resíduos
têm de ser removidos com água, o que toma o tempo de
dois astronautas durante dez minutos. Enquanto o ônibus espacial
Discovery está acoplada à ISS, os três tripulantes
da estação e os sete astronautas "visitantes"
poderão usar o banheiro da nave.
Missão
O
Discovery se acoplou nesta segunda-feira à Estação
Espacial Internacional para instalar o segundo e maior módulo
do laboratório japonês Kibo e levar uma bomba indispensável
para o conserto do banheiro com problemas.
A
nave que leva sete astronautas, seis americanos e um japonês,
deixou a Terra no sábado e se uniu à estação
orbital após uma delicada aproximação, realizada
338 km acima do Pacífico Sul, mostrou a televisão
da Nasa.
Durante
as manobras de aproximação, o comandante de Mark Kelly
realizou uma delicada manobra para que os astronautas da ISS tirassem
fotos do escudo térmico do ônibus espacial, em busca
de eventuais danos provocados por pequenos pedaços de espuma
isolante do tanque externo de combustível, que se soltaram
durante o lançamento.
No
sábado, a Nasa minimizou as conseqüências desse
incidente, mas o tema sempre gera preocupação. Em
fevereiro de 2003, o impacto de uma pedaço de espuma isolante
provocou a desintegração do Columbia e a morte dos
sete membros de sua tripulação em seu retorno à
Terra.
Nessa
missão de 14 dias, estão previstas três saídas
ao espaço, em dupla, com duração de seis horas
e meia cada uma.
Essas
saídas serão dedicadas, basicamente, para a instalação
do principal módulo do laboratório japonês Kibo,
que se somará a uma primeira parte trasladada em março
pela nave Endeavour.
Com
Kibo, que significa "'esperança" em japonês,
o Japão se torna membro pleno da ISS, junto com Estados Unidos,
Rússia e Europa. O país asiático dedicou 2,8
bilhões de dólares a esse programa.
O
novo módulo é um grande cilindro de 11,2 metros de
comprimento por 4,4 metros de diâmetro, com uma massa vazia
de 15,9 toneladas. Tem sistema próprio de manipulação
por telecomando, com um braço articulado que também
servirá para tarefas de manutenção na estação.
Além
desse módulo, os astronautas do Discovery devem inspecionar
o mecanismo de rotação danificado de uma das antenas
solares da ISS e substituir um tanque de nitrogênio para o
sistema de climatização da estação.
|