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MARCOS
PONTES |
JANUS |
ALICE |
Vôo
espacial a partir de Baikonur, Cidade das Estrelas, Rússia,
de onde partiu Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço,
feito que mudou os destinos da Humanidade. A bordo, um brasileiro,
um americano e um russo. Destino: Estação Espacial
Internacional. O brasileiro é Marcos Pontes, nascido em Bauru,
SP, de família modesta.
Começou
a trabalhar aos 14 anos, enquanto estudava no Senai. Sempre sonhando
em ser piloto, desenhando aviões nos cadernos escolares.
Formado como técnico, prestou exame para a Academia da Força
Aérea em Pirassununga e formou-se como piloto militar brilhantemente.
Mais
tarde ingressaria no famoso ITA (Instituto Tecnológico da
Aeronáutica), onde fez Engenharia Aeronáutica e formou-se
com louvor. Depois, além de um Mestrado no Naval Posgraduate
Program nos Estados Unidos, foi escolhido pela Agência Espacial
Brasileira (AEB) como representante brasileiro para participar na
NASA de treinamento para astronauta. Seis anos de cursos, treinamentos,
tudo muito competitivo e disputado. Nosso Marcos Pontes, venceu
todas as dificuldades, com mérito e determinação.
De
repente com o 11 de Setembro (ataque às Torres Duplas em
NY), a NASA interrompe seus programas, ainda por cima explode um
foguete tragicamente, com morte de todos os tripulantes. Ser astronauta
é missão que envolve risco de vida!
Marcos,
estacionado na Nasa em Houston, com a família, aceita a missão
que o governo brasileiro escolhe para comemorar o Centenário
do vôo de Santos Dumont com o 14-bis. Vai para a Rússia
em novo treinamento: nos Estados Unidos o termo é Astronauta,
na Rússia é Cosmonauta.
Marcos
é novamente vitorioso e pode embarcar para a Estação
Internacional Espacial. Seu vôo de oito dias no espaço,
leva vários experimentos científicos e tecnológicos
brasileiros, inclusive da Física da USP-São Carlos,
na área de biofísica e biologia molecular, de crescimento
de cristais de proteínas em microgravidade, de interesse
para nada menos que pesquisas em doença de Chagas, um flagelo
que assola não apenas o Brasil mas milhões de pessoas
em todo o planeta. O pesquisador Glaucius Oliva, da USP-São
Carlos, organiza o experimento juntamente com Marcos Pontes.
Uma
década depois, em Maio de 2008, eu telefono a Marcos Pontes
e a conversa foi mais ou menos assim: Marcos, aqui é o Sérgio
Mascarenhas da USP-São Carlos. Acabo de completar pesquisas,
com o apoio da Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão Preto,
e da Universidade Federal de São Carlos em que consigo monitorar
a pressão intracraniana (PIC) sem ter que furar o crânio.
Pretendo agora usar este novo método para investigar o caso
de altas acelerações, como num foguete, quando há
isquemia (falta de sangue no cérebro), síncopes (desmaios),
com pequenos animais numa centrífuga de laboratório.
Marcos
não só achou boa a idéia, como veio a São
Carlos para ajudar a estruturar o projeto! No Instituto de Estudos
Avançados da USP-São Carlos, juntamente com professores
do Curso de Engenharia Aeronáutica (único curso além
do ITA), discutimos um plano ainda mais amplo: montar uma rede de
laboratórios para pesquisar e desenvolver soluções
de interesse não só da astronáutica mas de
problemas relevantes aqui na Terra e que têm a ver interdisciplinarmente
com ciências espaciais: medicina, engenharia, tecnologia avançada,
nanotecnologia, química, materiais, informática, eletrônica,
as fronteiras do futuro com aplicações no presente
e aqui mesmo na Terra.
Não
temos grandes foguetes, mas temos criatividade e jovens talentos,
vamos virar a mesa, sem complexos de inferioridade na globalização
competitiva! Propusemos então o projeto ALICE (Associação
de Laboratórios Interdisciplinares em Ciências Espaciais).
O acrônimo provém da história literária
de Alice, mundialmente famosa por viver em mundos mágicos,
do outro lado do espelho. E a USP conta agora com Marcos Pontes
para mais essa viagem ao futuro! Na ilustração minha
e do Alfonso, o Deus Janus bifronte, mira o passado recente com
Marcos Pontes e o Futuro com Alice vestida com as cores brasileiras.
Sem pensar grande o Brasil continuará pequeno!
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