A
sonda Cassini-Huygens, um empreendimento conjunto da Nasa e da
Agência Espacial Européia (ESA), captou em Saturno
uma tempestade elétrica que dispara relâmpagos 10
mil vezes mais poderosos que os da Terra, informou hoje o Laboratório
de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês).
As tempestades elétricas de
Saturno são semelhantes às de trovões e relâmpagos
produzidas na atmosfera terrestre, indicou o organismo da agência
espacial americana em comunicado.
Mas, em Saturno, seu diâmetro
é de milhares de quilômetros e os sinais de rádio
que emitem seus relâmpagos são milhares de vezes
mais carregados do que as tempestades terrestres.
Os ciclones no planeta dos anéis
produzem ondas de rádio chamadas descargas eletrostáticas
de Saturno e as ondas da atual tempestade foram captadas pelos
instrumentos científicos em 27 de novembro de 2007, afirmou
o JPL.
Uma semana depois, as câmeras
de Cassini se centraram no que devia ser o ponto onde ocorria
a tempestade, até confirmá-la em 6 de dezembro.
"As explosões eletrostáticas
aumentaram ou reduziram sua intensidade durante cinco meses",
manifestou Georg Fischer, cientista da Universidade de Iowa.
"Em 2004 e 2006 detectamos tempestades
que duraram quase um mês cada. Esta nova tempestade é
de longe a mais prolongada", acrescentou.
A nova tempestade foi localizada
no hemisfério sul de Saturno, em uma região adequadamente
chamada "Storm Alley" (Beco das Tempestades).
Os instrumentos da sonda detectam
a tempestade em cada uma das órbitas do planeta, as quais
duram 10 horas e 40 minutos, aproximadamente o tempo de um dia
nesse planeta.
Em meados deste mês, a Nasa
estendeu por outros dois anos a missão da sonda internacional,
cujas "assombrosas descobertas e imagens revolucionaram o
conhecimento de Saturno e suas luas", segundo o laboratório.
Originalmente, a missão deveria
concluir em julho deste ano, mas a extensão permitirá
que a sonda realize outras 60 órbitas e aproximações
com as 52 luas do planeta catalogadas até agora pela Nasa.
O comunicado do JPL indicou que a
nave fará 26 aproximações com Titã,
sete com Encélado e uma com Dione, Rea e Helena em deslocamentos
que incluirão estudos dos anéis de Saturno, sua
magnetosfera e o planeta em si.
"Esta ampliação
não só é uma motivação para
a comunidade científica, mas para que todo mundo continue
decifrando os segredos de Saturno", assinalou Jim Green,
diretor da Divisão de Ciências Planetárias
da Nasa.
Durante quatro anos de atividade
contínua, Cassini transmitiu quase 140 mil imagens e informação
coletada durante 62 órbitas em torno de Saturno, 43 aproximações
a Titã e 12 mais com as outras luas.
Mais de 10 anos após seu lançamento
e quase quatro anos após entrar na órbita de Saturno,
Cassini é uma nave espacial "saudável e forte",
precisou o comunicado.
A nota acrescentou que até
quando três de seus instrumentos científicos têm
alguns problemas de funcionamento, o impacto sobre a missão
foi mínimo.
"A Cassini está trabalhando
excepcionalmente bem e nossa equipe está motivada com a
perspectiva de outros dois anos", disse o diretor do programa
da nave no JPL, Bob Mitchell.