
No
século 16, o monge Giordano Bruno afirmou que o cosmos
é repleto de planetas habitáveis. Seu pensamento
ecoou antes mesmo de o primeiro telescópio apontar suas
lentes para o universo, em 1609. No entanto, ele morreu na fogueira,
acusado pelo tribunal da Inquisição. Se o filósofo
italiano vivesse em nossa época, receberia a simpatia da
grande maioria dos cientistas. A busca por indícios de
vida extraterrestre tornou-se uma obsessão para a Nasa
e a Agência Espacial Européia (ESA). A recente descoberta
de metano e água no planeta HD 18973bb, a 63 anos-luz,
na constelação de Vulpecula (Pequena Raposa), motivou
os astrônomos a se concentrarem em regiões para além
do sistema solar. Sondas partirão nos próximos anos
tendo como alvos principais Marte e planetas similares à
Terra.
Em
2011, Charles A. Beichman estará concentrado no lançamento
da espaçonave SIM PlanetQuest. “A meta é entender
a formação e a evolução dos sistemas
planetários, e encontrar planetas similares à Terra
orbitando estrelas”, explicou o astrônomo que liderará
a missão de mais de US$ 98,5 milhões. “A SIM
poderá aferir leves tremores nas posições
de estrelas próximas, induzidos pela presença de
planetas pequenos”, acrescentou. Segundo o cientista do
Instituto de Tecnologia da Califórnia, a busca por vida
está fundamentada em estudos que provaram a variedade de
ambientes habitáveis no nosso planeta. Ele lembrou que
seres vivos já foram encontrados perto de vulcões
submarinos, na Antártida e em profundos aqüíferos.
“Em todo o lugar onde há água, carbono, nitrogênio,
oxigênio, hidrogênio e fonte de energia, a vida tem
sido detectada.” Beichman espera que formas primitivas sejam
descobertas no universo até 2031.
Daqui
a quatro anos, o Terrestrial Planet Finder (Localizador de Planetas
Terrestres) (TPF) — conjunto de observatórios espaciais
— será lançado para confrontar a luz dos planetas
com o brilho de suas estrelas. E apontar astros parecidos com
a Terra a 50 anos-luz. “Saberemos se esses planetas têm
atmosferas e se abrigam vida”, explicou Beichman. Outras
missões, como a Kepler (Nasa) e a Corot (ESA), se focarão
no leve “mergulho” de uma estrela. Para Mark Swain,
responsável pela descoberta de água e metano no
HD 18973bb, a missão Corot terá o maior impacto
a curto prazo. “Os resultados dela devem começar
a chegar à Terra em 2009, e espero que ela encontre vários
planetas”, disse.
Marte
O planeta vermelho atrai muita curiosidade. Em 25 de maio, a Phoenix
Mars Lander vai reduzir a velocidade de 25 mil km/h com um pára-quedas
e explorar a superfície de Marte. “Pousaremos na
camada congelada no norte do planeta. Na Terra, essa zona ártica
atua como um freezer e preserva moléculas orgânicas
complexas”, disse Peter Smith, principal investigador da
missão da Nasa. A sonda levará cinco câmeras
capazes de realizar tomadas microscópicas e atômicas.
“Veremos Marte com detalhes 1 trilhão de vezes aprimorados.”
O braço robótico da Phoenix Mars Lander cavará
o solo. Camadas de gelo e terra serão submetidas a um forno
e liberarão gases.
“Testaremos
esses gases no espectrômetro de massa para detectar a assinatura
orgânica dos minerais e dos compostos orgânicos”,
afirmou Smith. Outra sonda entrou na órbita de Marte em
10 de março de 2006 — “caçadora”
de água, a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) estuda o clima
do planeta. “Monitoraremos as estações sazonais,
as variações de temperatura, poeira e nuvens na
atmosfera”, explicou Richard Zurek, projetista da sonda.