O Museu Ferroviário Regional
de Bauru abre na próxima terça-feira, 11/03, uma
nova exposição que destaca as três ferrovias
que cortam Bauru: a Sorocabana, a Noroeste do Brasil e a Paulista/FEPASA.
A exposição "Entroncamento"
ocupará toda a área interna e externa do Museu.
A preparação do material mobilizou os coordenadores
e funcionários, que ao longo desta semana, suspenderam
o atendimento ao público para preparar o espaço.
A nova exposição permanecerá aberta à
visitação até o final do ano.
No fim do século XIX, Bauru
não passava de um pequeno povoado. O início de
tudo se deu na denominada "Baixada do Silvino", com
casas de pau-a-pique, muito próximo de onde hoje se localiza
a Estação Rodoviária. O desenvolvimento econômico
e os interesses políticos naquela época não
eram dirigidos a Bauru, apenas para as regiões próximas.
A Sorocabana passava por Botucatu,
vencendo sua serra, desbravando o sertão Paulista e seguindo
as curvas do Rio Tietê, passando por São Manuel,
Lençóis Paulista e Agudos. As ferrovias chegavam
ao interior a todo vapor. Devido à localização
e aos estudos dos engenheiros da Estrada de Ferro Sorocabana,
Bauru foi escolhida para abrigar um novo leito
ferroviário, fato concretizado em 1905.
Em seguida chega até Bauru
a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, isso em 1906. O entroncamento
fica completo em 1910 com a chegada da Companhia Paulista de Estrada
de Ferro, passando por Pederneiras, Guainases, Aimorés,
Triagem e Bauru.
Bauru se torna o maior entroncamento
ferroviário do Estado de São Paulo, abrigando as
três ferrovias: Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de
Ferro Noroeste do Brasil e Companhia Paulista de Estrada de Ferro,
ligando todas as regiões do Estado Paulista, inclusive
Mato Grosso, Bolívia e Paraguai.
O Museu Ferroviário Regional
de Bauru, vem com a exposição "Entroncamento"
reafirmar a sua principal característica, ser regional,
podendo contar a história das várias ferrovias que
circulavam por nossa cidade e que tinham características
impares e particulares. Através do desenvolvimento provocado
pelo novo entroncamento, a cidade alterou o seu modo de vida,
comércio, cultura, educação e desenvolvimento.
"Resgatamos peças nunca
antes expostas no museu, tudo para contar um pouco dessa grande
história que, na verdade, é a própria história
do desenvolvimento de Bauru. A Noroeste do Brasil sempre foi muito
bem retratada dentro do Museu, porém as outras duas sempre
tiveram um menor destaque, até pelo acervo delas ser bem
menor. Quando pensamos no tema Entroncamento, a maior dificuldade
foi reunir peças da Sorocabana. Foi um intenso trabalho
de garimpo e pesquisa, iniciado meses atrás, culminando
com essa abertura. Além disso, estamos resgatando peças
da história da denominada Escolinha da Rede, o Centro de
Formação Profissional Aurélio Ibiapina, que
manteve na cidade um curso profissionalizante muito disputado,
cujo astronauta, Marcos Pontes, foi um dos alunos", conta
Válter Tomás Ferreira, chefe do Museu Ferroviário
Regional de Bauru.
Esse entusiasmo contagiou toda a
equipe envolvida com o projeto dessa exposição,
que ocupa todo o espaço físico do Museu, devendo
ficar aberta ao público até o final desse ano.
"Uma mudança de exposição envolvendo
todo o museu é preocupante, pois todo o acervo é
substituído por um novo e um grande trabalho de pesquisa
necessita ser realizado. Sempre existiu um grande envolvimento
dos ferroviários com o Museu e muitas peças foram
cedidas por eles, enriquecendo ainda mais o resultado final. Entendemos
que as exposições de um museu não podem permanecer
intocáveis. De tempo em tempo, tudo necessita ser renovado,
despertando um novo interesse na visitação. Novas
abordagens, como a feita agora, são salutares para qualquer
instituição", relata Henrique Perazzi de Aquino,
diretor de Proteção ao Patrimônio Cultural
da Secretaria Municipal de Cultura.
Serviço:
Museu Ferroviário Regional de Bauru - R. 1º de Agosto,
qda 1, s/nº
Fone 3212.8262 - Atendimento: terça à sábado,
das 9h às 17h
Abertura: 11/03 terça-feira, 20h